Cristiane Brasil: Não sabia que era investigada por ligação com tráfico

"Isso foi uma grande covardia", diz deputada sobre acusação

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) disse em entrevista ao R7 que não sabia que estava sendo investigada por envolvimento com o crime organizado e o tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

— Eu não sabia nem que meu nome estava envolvido, nem que eu era investigada, que eu tinha associação ao tráfico.

O jornal "O Estado de S. Paulo" revelou no início de fevereiro que a Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga três assessores da deputada e o seu ex-cunhado, o deputado estadual Marcus Vinicius (PTB-RJ), por supostamente pagarem traficantes do bairro de Cavalcanti, na zona norte do Rio, para realizar campanha exclusiva na região durante as eleições de 2010. A deputada também é investigada no processo, que foi remetido neste mês à PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, por ela possuir foro privilegiado.

Cristiane na época era secretária de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio, na gestão do prefeito Eduardo Paes (MDB-RJ), e não participou das eleições. 

O jornal não divulgou o nome dos autores da denúncia por motivo de segurança. A parlamentar alega que a denúncia foi feita de forma anônima e que solicitou à PGR os autos do processo. Ela classifica o caso como uma "covardia".

Na entrevista ao R7, Cristiane diz que a segurança no Rio de Janeiro vive um momento crítico e que a situação precisa ser encarada "como uma guerra".

— Nós tentamos esconder essa realidade embaixo do tapete e fingir que, “ah, um combatezinho aqui, uma troca de tirozinhos ali, que matou uma, duas pessoazinhas...”, não. É uma guerra pesada.

Leia a entrevista:

R7: Como você avalia a intervenção federal na segurança do Rio?

Cristiane Brasil: Para se chegar a uma decisão de se fazer uma intervenção na segurança de um Estado é porque a avaliação de todas essas polícias e das Forças Armadas é que a situação saiu de controle. As apreensões de drogas e armamentos que estão sendo realizadas após a intervenção demonstraram que a decisão está sendo acertada. Agora, com muita apreensão. O povo do meu Estado está com medo de sair nas ruas. Tem de dar um basta nisso. E se para isso é preciso tomar medidas duras, que sejam tomadas.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse no ano passado que o Comando da PM é sócio do crime organizado no Rio. Você concorda com isso?

Eu não acredito que a cúpula da polícia esteja envolvida com o tráfico de armas e drogas, não. Eu acredito que nós tenhamos é que endurecer o jogo de verdade e que esse combate tem que ser classificado como guerra. Até hoje nós tentamos esconder essa realidade embaixo do tapete e fingir que, “ah, um combatezinho aqui, uma troca de tirozinhos ali, que matou uma, duas pessoazinhas...”, não. É uma guerra pesada e que envolvem inúmeros interesses. E se as Forças Armadas foram incluídas nesse combate, então deixe que as Forças Armadas resolvam do jeito que ela sabe resolver, como uma guerra.

Guerra é tanque na rua, presença ostensiva de soldados?

Não precisa de tanque na rua, mas é pra combater, com inteligência. É pra prender, é pra desarmar, mas é pra combater.

Você, três assessores seus e seu ex-cunhado são investigados por envolvimento com tráfico de drogas, durante a campanha de 2010. Você tinha conhecimento do caso?

Eu tomei conhecimento quando o jornal "Estadão" resolveu publicar aquela matéria. Eu não sabia nem que meu nome estava envolvido, nem que eu era investigada, que eu tinha associação ao tráfico.

Que a polícia do Rio estava investigando, você não sabia de nada?

Nada. Se eu tivesse sido chamada, se eu soubesse de algo eu podia até tentar saber, pegar esses autos… Já fui na PGR buscar a cópia desse suposto inquérito aí… Mas eu acho que isso foi uma grande covardia, pelo que eu sei é uma denúncia anônima. Eu soube que em 2010 o TRE também recebeu uma denúncia anônima, de adversários políticos da época.

Isso é uma prática comum. Você tem um adversário político que você quer prejudicar e você vai lá no TRE e faz uma denúncia anônima. Eu nem candidata fui em 2010. Eu soube que foram duas denúncias, uma no TRE e outra na delegacia, anônima também. A do TRE foi arquivada. E essa denúncia ficou rodando na delegacia. Pelo que eu soube de informantes lá de dentro, [a investigação] passou por três delegados, não teve oitiva de ninguém. Só o meu ex-cunhado teve que prestar esclarecimentos por escrito, e ele disse que não conhecia, que achava que era um adversário político.

Ele não te avisou na época desse depoimento e do processo?

Na época ele me falou, mas isso foi em 2010, você acha que eu me lembrava disso?

E por que você acha que o processo não andou na delegacia e voltou só agora?

Não tenho a menor ideia. Mas me interessa saber. Gostarei de ter a resposta, assim que eu tiver os autos na mão... Mas eu vou perguntar pro Estadão também.