Racismo e ameaças de morte: o caso de Maíra Azevêdo, "Tia Má"

Maíra ficou conhecida na internet por ser defensora dos direitos das mulheres, negros e comunidade LGBT+

Divulgação

A jornalista Maíra Azevêdo, popularmente conhecida como 'Tia Má' na internet, enfrenta o que diversas personalidades da rede já encontraram pela frente nas plataformas online: o racismo.

Durante uma transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram, Maíra foi sistematicamente provocada por um dos usuários que assistiam ao broadcast. Até que, em dado momento, a situação atingiu seu limite; Maíra foi chamada de "monkey" - "macaco" em inglês.

Assumida defensora dos direitos de mulheres, negros e da comunidade LGBT+, Tia Má não se calou diante da agressão. Fez um print das ofensas e protocolou queixa formal por injúria racial na 1ª Delegacia da Polícia Civil de Salvador, além de publicar o registro do crime em suas redes sociais.

O usuário do qual partiram as injúrias era um perfil falso, rapidamente deletado do Instagram

Reprodução / Instagram

O caso então ganhou a mídia, os sites, rádios e TV. No entanto, identificar o suspeito do delito era uma missão complexa - o usuário do qual partiram as injúrias era um perfil falso, rapidamente deletado do Instagram.

Tudo, portanto, estava inclinado para a impunidade do agressor.

Até que vieram as ameaças

Nesta quinta-feira (1°), Maíra surpreendeu aos que acompanham o caso ao compartilhar ameaças de morte vindas do suspeito, que havia conseguido seu número de celular pessoal. A jornalista passou a receber mensagens e telefonemas que atentam contra sua vida.

“Não sabe com quem está falando, pro seu bem me deixe em paz. vou acaba [ sic] com você”, izia o agressor, nas mensagens que, de acordo com Tia Má, foram precedidas de ligações com o mesmo teor ofensivo. O suspeito prossegue: “vc não passa de hj (...) pode ficar sabendo (...) sua macaca preta [sic]”.

Maíra Azevêdo, novamente, não se calou. "Ainda que eu morra, morrerei lutando pelo que eu acredito! Jamais vou me furtar do meu direito de seguir combatendo as mais diversas formas de discriminação. Não quer ser exposto? Não cometa crimes! Não vai me intimidar com ameaças!", disse a jornalista em um trecho de um texto que, ainda de acordo com ela, foi encaminhado a todos os seus contatos, por precaução.

Por medo.

A repercussão do episódio ia ganhando um outro viés. Mais perigoso, e, por isso mesmo, mais fácil de rastrear.

Como o número do qual vinham as mensagens e ligações ficou salvo no celular da vítima, a polícia, agora, tem mais chances de chegar ao agressor.

"Ningém no Brasil é 100% negro ou 100% branco, não vamos deixar esse caso passar impune. As pessoas têm a ideia de que internet é terra de ninguém. Não é. Nós vamos descobrir quem é essa pessoa e vamos fazer ela pagar por seus atos", disse a delegada responsável pelo caso.

Ainda nesta quinta-feira, uma nova queixa, desta vez por conta do crime de ameaça, foi protocolada. Novamente, com toda a atenção da mídia.

Contumaz

Mas nem mesmo a pressão da imprensa ou da própria investigação policial parece ter coibido a ação criminosa.

Pouco mais de 24h depois do novo desenrolar da situação, Tia Má utilizou de suas redes sociais nesta sexta-feira (2) para divulgar que os atentados contra sua vida não pararam.

Diante da repercussão do crime, o agressor continuou a tentar intimidar a jornalista. "Sou hacker vou acaba [sic] com sua vida (...) nao passa de hj!!!", diz uma das novas mensagens.

Ao R7 e à RecordTV, Maíra Azevêdo se diz tranquila quanto ao episódio. Afirma ainda estar recebendo muito apoio de colegas, família, fãs e de entidades governamentais.

A 1ª Delegacia da Polícia Civil de Salvador afirma "já ter uma idea" da verdadeira identidade do agressor. A delegacia afirma ainda não poder dar mais detalhes, de forma a não prejudicar as investigações, que seguem em curso.

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