Portas das casas de antifascistas são marcadas na Itália

Os italianos de Pavia, cidade que fica a 35 quilômetros de Milão acordaram assustados neste sábado (3). As portas de algumas casas amanheceram marcadas com adesivos, que indicam que os moradores são contra o crescente movimento fascista.

O desenho mostra o logotipo usado por grupos antifascistas com uma faixa vermelha e a frase "Qui ci abita un antifascista" – em português, aqui vive um antifascista.

Entre os “marcados”, estão pessoas que se manifestaram na internet contra a propaganda neofascista. Uma delas é Giacomo Galazzo, conhecido ativista, filiado ao partido de esquerda criado pela resistência italiana após a segunda guerra mundial, a Associazione Nazionale Partigiani d'Italia (ANPI).

Em sua página no facebbok, Galazzo escreveu, logo pela manhã: "a esta intimidação vergonhosa respondo com orgulho que sim, lá vive um antifascista. E tenham a certeza de que voltarei por aquela porta para dizer isto em voz alta, todas as vezes que puder".

A reação nas redes sociais foi imediata. O prefeito de Pavia, Massimo De Paoli, publicou uma foto do adesivo com a frase: “Vocês precisarão de muitos adesivos para colar em todos os sinos de Pavia”.

Outros moradores da cidade também se manifestaram nas redes. Alguns postaram fotos de frases que colaram nas próprias portas. Em uma delas é possível ler “aqui vivem os antifascistas... e somos orgulhosos disto”.

Outros prefeitos declararam apoio à cidade de Pavia. Alessio Pascucci, prefeito de Cerveteri, na região de Roma, e coordenador da Associação Italiana de Prefeitos, colou um adesivo na entrada da cidade, em que diz que “esta cidade tem um prefeito antifascista”.

Em entrevista à imprensa local, ele afirmou que "o que aconteceu é inaceitável — o momento mais sombrio da nossa história foi quando o fascismo o nazifascismo retiraram a vida, a liberdade e os direitos de muitas pessoas".

Pascucci ainda convidou outros prefeitos italianos a colar adesivos semelhantes em suas cidades.

Neste domingo (4), os italianos vão às urnas para eleger deputados e senadores. As regiões de Roma e de Milão também devem escolher os novos presidentes regionais. A disputa acirrou a divisão entre esquerda e extrema direita no país.

A suspeita é que os adesivos tenham sido colados por integrantes de partidos da extrema direita como o Forza Nuova e o CasaPound. Gianluca Iannone, fundador do Casa Pound declarou estar "absolutamente sem relação com o que aconteceu em Pavia".