Oscar 2018: o ano mais imprevisível dos últimos tempos

Melhor Atriz Coadjuvante

Favorita: Allison Janney, por filme Eu, Tonya

Em uma das primeiras exibições do filme Eu, Tonya – tempos que antecederam as indicações ao Oscar 2018 – muitos críticos já declaravam Allison Janney como vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por interpretar LaVona Harding, mãe da patinadora Tonya Harding. E analisando os méritos do filme até agora, é quase certo dizer que Janney de fato levará a estatueta para casa. Conhecida nas redes sociais como “camaleão”, a atuação da veterana é impossível de ignorar, espera-se que a Academia enxergue do mesmo jeito.

Boas chances: Laurie Metcalf, por Lady Bird: É Hora de voar

Veterana do teatro, Metcalf ganhou atenção da Academia pelo seu desempenho como mãe da protagonista Lady Bird. Caso o Oscar insulte Janney, Metcalf é outra grande favorita. Contracenando com Saiorse Ronan, muitos críticos equiparam as performances de Ronan e Metcalf, um dos pontos que podem ser levados em consideração na escolha do prêmio.  

Melhor Ator Coadjuvante

Favorito: Sam Rockwell (Três Anúncios para um Crime)

Não foi da noite para o dia que Rockwell mostrou todo seu talento como ator. Duncan Jones – em sua estreia como diretor – contratou o artista para interpretar uma astronauta solitário que habita na Lua no filme Lunar. Aclamado tanto pela crítica quanto pelo público, pode-se dizer que a subestimação de Rockwell começou por aí, momento em que o mesmo carrega o longa-metragem sozinho. Vale lembrar outros títulos em que Rockwell teve um desempenho memorável como Sete Psicopatas e um Shih Tzu – do mesmo diretor de Três anúncios para um Crime) – e Frost/Nixon.

E parece que agora chegou seu grande momento, pois Sam Rockwell finalmente vai levar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu complexo personagem em Três Anúncios para um Crime

Boas chances: Willem Dafoe, por Projeto Flórida

Melhor Ator
Favorito: Gary Oldman, por O Destino de uma Nação

Como citei no texto sobre os indicados, o Oscar de 2018, em partes, é a exaltação dos humilhados. Primeiro pela indicação de Rockwell e agora por Gary Oldman, finalmente reconhecido pela Academia. Sua última nomeação foi por O Espião que Sabia Demais, adaptação literária de John le Carré, que foi ofuscada pelo esquecível Juan Dujardin, vencedor do prêmio de Melhor Ator por O Artista.

Eis que Oldman encontrou e trabalhou tão arduamente na construção de Winston Churchill que assim como Alisson Janney, ignorar um desempenho tão antológico é uma demonstração infeliz de desprezo.

Boas chances: Daniel Kaluuya ou Timothéé Chalamet

Também mencionei no texto sobre os indicados, que atualmente o Oscar tem se inclinado intensamente para o ativismo. E nesta aposta estão dois nomes que representam filmes relacionados às conquistas de minorias. Se a Academia ignorar Oldman mais uma vez, a perda mais justa seria para um desses dois atores. Apesar de Chalamet ter ganhado um status superestimado, ganhar o Oscar de Melhor Ator por Me Chame Pelo Seu Nome é algo que o público LGBT tem esperado desde O Segredo de Brokeback Mountain. Na contracorrente, Daniel Kaluuya é a grande estrela e revelação do sarcástico e assustador Corra! filme de terror que demonstra o racismo como nunca visto nas telas do cinema.

Melhor Atriz


Favoritas: Sally Hawkins, por A Forma da Água e Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime

Primeira categoria deste texto com apostas voláteis. Sally Hawkins já era bem conhecida pelo público britânico, mas apareceu na A-list de Hollywood após sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Blue Jasmine, onde fez a irmã da insuportável Jasmine (Cate Blanchett). Subindo aos poucos com projetos menores e alguns blockbusters, Hawkins parece ter encontrado o que faltava para ganhar o seu troféu. Porém, o que ninguém esperava era a reviravolta de Três Anúncios para um Crime abocanhar todos os prêmios, incluindo o de Melhor Atriz para Frances McDormand, que já ganhou uma estatueta e não tem muito tempo.

Boas chances: Saoirse Ronan, por Lady Bird

É a terceira vez que Ronan é indicada e geralmente a Academia não gosta de indicar muito sem premiar. Existem algumas exceções, que no caso é deboche, ao contrário de Ronan, que é queridinha dos membros. Se existe preocupação entre as veteranas, o nome dela é Saoirse Ronan.

Melhor Roteiro Adaptado

Favorito: James Ivory, por Me Chame Pelo Seu Nome

São poucas adaptações literárias que conseguem transcender a qualidade do material original. Para os fãs do livro Me Chame Pelo Seu Nome, o longa-metragem dirigido por Luca Guadagnino (esnobado na categoria de Melhor Diretor) se tornou uma exceção à regra. Tanto que, o roteiro escrito por James Ivory é um dos favoritos em levar o troféu para casa. Sem qualquer concorrente, o texto de Ivory eleva a qualidade do material em substituir o conto em primeira pessoa por interações mais subjetivas. No livro, Ellio conta a história por meio de pensamentos e atitudes. Na película, não temos a menor ideia do que se passa na cabeça no protagonista. O ditado “menos é mais” nunca fez tanto sentido.

Melhor Roteiro Original
Favorito: Greta Gerwig, por Lady Bird: É Hora de voar

Infelizmente, Greta Gerwig não levará o Oscar de Melhor Diretora, mas se tem uma categoria que é quase unânime é de Melhor Roteirista. Gerwig trabalha como escritora faz um bom tempo. Desde Frances Ha, ao lado de seu marido Noah Baumbach, a atriz ganhou muito destaque entre os críticos e talvez seja esse o momento de ganhar um prêmio não apenas por Lady Bird, mas pela carreira.

Boas chances: Jordan Peele, por Corra! e Martin McDonagh, por Três Anúncios para um Crime.

Quão frequente um filme de terror aparece no Oscar? Sim, a resposta é fácil: nunca. Última vez foi em 1991, com Silêncio dos Inocentes. Apesar da época noventista, em que a política quase não subia ao palco do Oscar (infelizmente), o filme de Jonhathan Demme foi um caso extremamente atípico de Hollywood. Mais de vinte anos depois, a indústria ampliou a significância de uma premiação e deu margem para grandes ideias, como o filme Corra! Não apenas por tudo que o filme representa, mas também pela narrativa mirabolante sobre racismo, Corra! talvez tire os méritos de Greta.

Por outro lado, Três Anúncios para um Crime sintetiza a ideia dos dois filmes citados aqui: o feminismo e o racismo. E por isso, existe a probabilidade de Martin McDonagh roubar a cena neste domingo. Porém, o que pode atrapalhar os planos de McDonagh em vencer é o criticismo diante da abordagem debochada do diretor com as temáticas citadas.  

Melhor Diretor

Favorito: Guilermo Del Toro, por A Forma da Água

Já tem um bom tempo que Del Toro merece um Oscar. Será que vale uma retrospectiva? Talvez em outro momento, mas O Labirinto do Fauno é um ótimo exemplo, que infelizmente nunca teve o reconhecimento merecido. Após algumas apostas no mercado comercial, como Círculo de Fogo e A Colina Escarlate, Del Toro ressurgiu com este conto de fadas alternativo onde direção, fotografia e todas as partes técnicas caminham magistralmente bem. Digno de Oscar.

Boas chances: Christopher Nolan, por Dunkirk

Assim como Del Toro, Nolan tem uma filmografia invejável, onde o diretor conseguiu mesclar um cinema comercial com boas ideias. Mas desde Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Nolan procurou fazer um filme 100% autoral. Mesmo com Interestelar, a aposta do diretor para reconhecimento da Academia foi Dunkirk. As chances de Nolan tirar o Oscar de Del Toro são bastante otimistas, uma vez que ambos são diretores que um dia foram esnobados pelo prêmio.

Melhor filme

Favoritos: Corra! e Me Chame Pelo Seu Nome
De fato são filmes incríveis se analisados isoladamente, mas ambos têm algo em comum: a representatividade. Assim como a Academia foi imprevisível em premiar diretores mexicanos dois anos consecutivos, não seria uma surpresa ela premiar de novo um filme LGBT. E caso queira evitar o arco-íris, Corra! pode levar a estatueta.

The post Oscar 2018: o ano mais imprevisível dos últimos tempos appeared first on JBr..