Justiça decreta prisão preventiva de grupo suspeito de formar milícia 

Suspeitos foram presos em uma festa em Santa Cruz

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A audiência de custódia dos 159 presos em uma operação contra uma milícia da zona oeste do Rio de Janeiro será nesta terça-feira (10), às 10h. Os suspeitos foram presos em flagrante no último sábado (7), durante um pagode em Santa Cruz. A prisão foi convertida para preventiva pelo Judicário no fim de semana. 

A lei determina que todo preso em flagrante seja levado a uma autoridade judicial para que seja avaliada a legalidade e a necessidade de manter a prisão.

Em nota, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) informou que "embora muitos envolvidos relatem que apenas se encontram participando de uma festa paga, os relatos dos policiais se apresentam de forma homogênea quando declaram que não havia qualquer tipo de bilheteria ou profissionais ligados a realização de eventos, pelo contrário, o que se viu foram homens armados de fuzis, aparentemente, realizando a segurança e controle de acesso ao local".

Ainda de acordo com o TJ-RJ, a audiência será pelo sistema de videoconferência na Central de Assessoramento Criminal. 

Militares envolvidos

A Comunicação Social do CML (Comando Militar do Leste) confirmou que três militares foram presos na festa. O trio está detido em uma unidade carcerária do Exército e à disposição da Justiça Militar para os procedimentos legais, o que pode incluir a instauração de um inquérito Policial Militar.

De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira), um soldado também foi detido e está à disposição da Justiça Comum Estadual. Além disso, o comunicado diz que um processo administrativo foi aberto e, após a conclusão da apuração, o militar poderá ser expulso da FAB.

Havia ainda informações de policiais militares entre os presos. No entanto, a Polícia Militar divulgou, em nota oficial, que não foi notificada sobre a partipação de PMs no caso, mas a "corporação aguarda a comunicação do fato pela Polícia Civil para apurar as condutas dos policiais militares, o mais rápido possível".

A operação 

As investigações tiveram início a partir do cruzamento de dados levantados pela DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense) e pelas delegacias de Campo Grande (35ª DP) e Vicente de Carvalho (27ª DP). Segundo a polícia, o grupo conhecido como Liga da Justiça é, atualmente, o maior e mais perigoso do Estado.

O grupo tem como base o bairro Campo Grande, mas expandiu suas atividades para municípios como Itaguaí e Seropédica e para cidades da Costa Verde do Estado do Rio de Janeiro.

Além de cometer assassinatos e cobrar taxas ilegais de segurança a moradores, os milicianos já haviam fechado acordos com traficantes para a venda de drogas e o roubo de cargas nos territórios sob seu controle.

Na operação, quatro pessoas morreram e uma ficou ferida em confronto com os policiais. De acordo com a Polícia Civil, todos os baleados eram seguranças de Wellington da Silva Braga, o Ecko, apontado como chefe da milícia, que estava no local, mas conseguiu fugir.

Segundo o TJ-RJ, a operação também apreendeu 24 armas, inclusive fuzis, granada, 76 carregadores e 1.265 munições, além de 11 carros roubados.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira