PM que registrou morte de vigia a tiro como atropelamento vai a juri

Vigilante de 39 anos morreu no dia 11 de outubro de 2015

Vigilante de 39 anos morreu no dia 11 de outubro de 2015

Reprodução Record TV

A Justiça marcou o julgamento do PM (Policial Militar) Paulo Henrique Rezende da Silva, suspeito de envolvimento na morte do vigilante Alex de Morais, executado em outubro de 2015. O caso será julgado no dia 25 de julho no Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, às 12h30.

O vigilante de 39 anos foi morto após ser atingido por uma bala perdida, por volta de 2h50, na rua Edgar Pinto Cesar, na região do Sapopemba, na zona leste da capital paulista. Morais foi atingido quando descia do ônibus, pouco antes de caminhar até sua casa, após ter saído do trabalho.

Na versão apresentada pelos dois PMs que registraram o caso no 69º DP (Teotônio Vilela), Morais foi encontrado caído, após ser atropelado por uma moto em alta velocidade ocupada por duas pessoas.

O boletim de ocorrência registrado pelos policiais militares menciona uma perseguição feita a dois homens que fugiam em uma motocicleta, veículo que teria atropelado e executado o vigilante. No entanto, o boletim cita apenas morte por atropelamento, e não tiros.

Segundo a investigação, os policiais podem ter induzido os bombeiros que socorreram o rapaz e também os médicos do Hospital Santa Marcelina, que atenderam o caso, a erro, pois o documento médico diz que o vigilante morreu após uma lesão na cabeça que provocou perda de massa encefálica. Na delegacia, com base nas informações trazidas pelos PMs, o caso foi registrado como lesão corporal culposa (quando não há intenção) seguida de fuga do local.

A verdade só foi descoberta depois que o corpo foi para o Instituto Médico-Legal para exame necroscópico. Os legistas encontraram uma perfuração na nuca de Morais provocada por um tiro. A Polícia Civil foi avisada e as investigações sobre o que realmente aconteceu começaram. O 70º DP (Sapopemba) abriu um inquérito de homicídio e a Corregedoria da PM também passou a apurar os motivos que levaram os policiais a mentir.

Com o apoio do Centro de Direitos Humanos de Sapopemba e Ouvidoria de Polícia, a família registou um novo boletim de ocorrência com a nova versão. O MP-SP (Ministério Público) pediu a prisão dos dois policiais militares envolvidos — ambos estão presos.

A mãe do vigilante, Francelina Veiga de Morais, de 69 anos, disse informalmente aos policiais que o filho trabalhava na zona oeste e havia acabado de descer do ônibus quando foi baleado. Morais não tinha passagem na polícia.