Prefeitura de SP registra mais de 5 mil pedidos sobre vespas e abelhas

Prefeitura de SP registra mais de 5 mil pedidos sobre vespas e abelhas

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A Prefeitura de São Paulo registrou no primeiro semestre deste ano mais de 5 mil reclamações sobre vespas e abelhas. O número, extraído pelo canal 156 do órgão, é 24,2% maior se comparado com o mesmo período do ano passado, quando se registrou 4.520 ocorrências.

De acordo com relatório publicado pela própria prefeitura paulistana, o canal de solicitação de serviços foi chamado 5.614 vezes entre 1 de janeiro a 30 de junho para que se realizassem a retirada de insetos dos domicílios. No entanto, quatro meses após o término do balanço, ainda faltam 1.163 casos para serem solucionados.

O aumento de abelhas e vespas é justificado por dois fatores segundo a professora de biologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Paola Lupianhes Occo. O primeiro é o desmatamento florestais. “Estamos desmatando cada vez mais o ambiente natural de abelhas. Na fuga de incêndios, por exemplos, elas acabam indo para centros urbanos”, conta.

Segundo a professora, o segundo fator é o período da seca. “Acontece o enxameamento de abelhas nesses dias que antecede a primavera. Escolhem uma rainha virgem e formam uma nova colmeia. E instalam-se em outro lugar”, explica.

No primeiro semestre de 2017, 4.438 pessoas reclamaram dos insetos. Destes, 4.352 foram atendidas e finalizadas. Já no segundo semestre, a prefeitura catalogou 4.520 episódios. Destes, 4.204 foram resolvidos. Felizmente, é o caso da artesã Jeanne Carmona Fiss, de 62 anos. Moradora da Sumaré, bairro da zona oeste da capital paulista, ela fez o primeiro chamado há três anos. “Logo que eu mudei para cá já tinha um vespeiro, só que era pequeno. Quando pintaram a casa, os pintores mesmos retiraram o inseto”, relembra.

Mas os bichos "voltaram com força" depois e fizeram duas casas. Em seguida, acionou o 156 da prefeitura e esperou por 20 dias até que a solução fosse parcialmente resolvida. “Eles retiraram uma casa. A outra deixaram aqui porque disseram que não seria importante”, diz.

Passados dois anos, o vespeiro estava “gigante”. “Bem na porta da minha edícula”, conta — o local abriga uma brinquedoteca especialmente para a neta, de sete anos, passar um tempo. “Achamos que seria prejudicial, porque nunca se sabe quando a abelha vai atacar”, analisa. Novamente, o serviço 156 foi acionado. Demorou quase um mês para os técnicos irem no local e fazer a retirada dos insetos. “Em vista de todos os outros programas da prefeitura, foi até que um tempo satisfatório”, avalia.

No período de espera, o cachorro da família, um poodle, foi picado por uma abelha. “Levamos no veterinário e ele tomou uma dose de antialérgico”, explica. “Aí ele melhorou, mas ele chorava reclamando da (acredito eu) dor”, diz. “Parece que é inofensivo, mas não é. Se picar, vai doer. E o mais preocupante é que todos aqui em casa somos alérgicos.”

A artesã Jeanne acionou o 156 da Prefeitura de SP duas vezes

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Demais serviços

Buracos, entulhos, objetos que atrapalham o tráfego nas vias, carros abandonados e árvores não podadas costumam levar em média 196,4 dias para serem resolvidos, ou seja, mais de seis meses. O número se refere ao tempo médio de atendimento dos cinco serviços mais olicitados pelo 156 da prefeitura.

Só no primeiro semestre, 380 mil requisições foram abertas. Destas, 249.949 foram resolvidas. Faltam, ainda, 130.051 chamados para serem solucionados. O órgão justifica que o volume de solicitações é maior nos seis primeiros meses por causa das chuvas.

A demora na resolução dos problemas é crescente e se afasta cada vez mais da meta municipal. Se, entre 2013 e 2016, a média de atendimento era de 90,8 dias, ela chegou a 170,6 no segundo semestre de 2017.

A meta do órgão é reduzir a média para 80 dias ainda neste semestre — o que significa uma diminuição de 59,1%. Até o fim da gestão Bruno Covas (PSDB), a ideia é chegar a 70 dias. "O ideal seria um técnico fazer uma vistoria imediatamente no local para que, após, possa realizar ou não a retirada das abelhas. É importante saber o perigo que aquela família está passível antes de fazer algo efetivo", avalia a professora.

Recomendações

Caso uma pessoa receba uma picada de uma abelha, por exemplo, o primeiro passo a ser feito é sair do local. “Não pode correr em linha reta porque a abelha faz isso. O ideal é sair em ziguezague”, conta Occo.

A professora também indica que o local picado deve ser lavado com água e sabão e, posteriormente, o ferrão deve ser retirado da pele. “O ferrão libera um feromônio que chama a atenção das demais abelhas, apontando que estão em perigo. Logo, elas vão atacar mais”, diz. Em seguida, ir à um hospital para avaliar os ferimentos. No entanto, alerta: “se a pessoa for alérgica, é necessário que vá ineditamente para o hospital”.

"Mas não matem as abelhas", pondera Occo. "Elas não fazem mal algum pra sociedade. Atacam quando se sentem ameaçadas, apenas", lembra. "Pro sistema, possuem benefícios como o fato de serem grandes polimerizadoras e predadoras, ou seja, são importantes na cadeia."

Outro lado

Por meio de nota, a Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) informou que "não é possível afirmar qual a real causa para o aumento de ocorrência envolvendo insetos, pois existe oscilação natural/biológica".

O órgão disse também que o controle de vespas e abelhas "depende de visita ao local e da espécie em questão". No geral, segundo a prefeitura paulistana, são contados os seguintes fatores: espécies nativas de abelhas sem ferrão são protegidas por lei, portanto, não devem ser eliminadas ou removidas; ninhos instalados em rede elétrica são controlados pela Eletropaulo e enxames viajantes em geral não são controlados — deve-se aguardar que ele se retire naturalmente em até 3 dias.

*Com informações da Agência Estado