Rússia acusa Ucrânia de derrubar voo MH17, da Malaysia Airlines

Ministério da Defesa divulgou conclusões de análise

REUTERS/Maxim Shemetov/17.09.2018

O Ministério da Defesa da Rússia divulgou nesta segunda-feira (17) as conclusões de uma análise do material que indicaria sua participação no abatimento do voo MH17, ocorrido em 17 de julho de 2014, na Ucrânia, e disse que os vídeos apresentados como provas são "falsos".

O posicionamento chega quase quatro meses depois de o inquérito conduzido na Holanda ter defendido que o míssil usado para derrubar o avião da Malaysia Airlines pertencia a Moscou.

A conclusão foi baseada em vídeos e fotos que mostram o trajeto percorrido pelo sistema antiaéreo, que teria sido levado para o leste da Ucrânia, sob domínio de rebeldes pró-Rússia, e depois voltado para o país vizinho.

Segundo Moscou, no entanto, os vídeos foram "falsificados". Além disso, o Kremlin diz que o míssil Buk identificado nas imagens foi entregue à Ucrânia em 1986 e "nunca devolvido" à Rússia depois do desmantelamento da União Soviética.

O Ministério da Defesa russo afirmou que o número de série apresentado pelos investigadores holandeses - 8868720 - conduz a um projétil produzido em Dolgoprudny, na região de Moscou, e fornecido, em 29 de dezembro de 1986, à "unidade militar 20152", situada então na República Socialista da Ucrânia.

"Todo o material está à disposição dos investigadores, que poderão consultá-lo na Rússia", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa Igor Konashenkov. O governo russo também disse ter interceptado uma conversa entre militares ucranianos que comprovariam a responsabilidade de Kiev no abatimento do MH17.

"A Ucrânia é responsável não apenas pela tragédia, mas também por ter manipulado as investigações internacionais", acrescentou Konashenkov. O registro seria referente a 2016 e, de acordo com Moscou, um dos interlocutores seria o coronel Ruslan Grinchak, atual primeiro vice-comandante aéreo ocidental das Forças Armadas Ucranianas.

"Rapazes, se fizermos assim, haverá outro Boeing malaio", teria dito Grinchak, lamentando-se do nível insatisfatório de preparação de seus colegas, então empenhados em um exercício militar. A tese anterior de Moscou era de que o avião havia sido derrubado por um míssil ar-ar disparado por um caça ucraniano.

O governo da Ucrânia respondeu e disse que as denúncias são uma "falsificação fracassada" feita para "esconder os crimes" da Rússia. O Boeing 777 levava 298 pessoas e voava de Amsterdã, na Holanda, a Kuala Lumpur, na Malásia. Todos os passageiros e tripulantes morreram. A aeronave caiu no leste da Ucrânia, que é palco de conflitos separatistas desde 2014.