Cabral pagou joias com conta na Alemanha, diz diretora da H. Stern

Joias de ouro branco com safira custaram, juntas, mais de R$ 700 mil (Foto: Reprodução)Joias de ouro branco com safira custaram, juntas, mais de R$ 700 mil (Foto: Reprodução)

Joias de ouro branco com safira custaram, juntas, mais de R$ 700 mil (Foto: Reprodução)

Diretora comercial da H. Stern, Maria Luiza Trotta, disse nesta quinta-feira (1) que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho pagou por joias através de uma transferência bancária que envolveu uma conta na Alemanha. Ela prestou depoimento nesta quinta-feira (1) na 7ª Vara Federal Criminal, no Rio, como testemunha de acusação em um dos processos contra Cabral, preso em novembro na Operação Calicute.

A diretora disse ainda que Cabral era atendido em locais previamente agendados por um assessor. Em uma das ocasiões, Maria Luiza levou algumas peças até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, para que o ex-governador pudesse escolher.

Ela falou que os pagamentos, quase sempre, eram feitos em dinheiro, mas uma vez específica foi feito através de uma transferência bancária envolvendo uma conta na Alemanha. Na ocasião, segundo a gerente, Cabral comprou um conjunto de safiras. Trotta disse ainda que fez 11 vendas pra a Adriana Ancelmo.

"A Adriana geralmente vinha a loja, já [no caso das compras com] o senhor Sérgio Cabral, um assessor vinha até mim, agendava o local e eu ao encontro dele. (...) Os pagamentos eram feitos geralmente em espécie. O Sérgio Cabral dizia que o Carlos Miranda iria ao nosso encontro. Ele ia na nossa matriz e fazia o pagamentos. Teve uma ocasião que ele pagou com transferência bancária através de uma conta no exterior. Veio de uma conta da Alemanha . Foi um conjunto de safiras", disse.

A denúncia do MPF cita que a "organização criminosa" da qual faria parte Cabral lavou dinheiro comprando um anel e um par de brincos de ouro branco com safira, pagando para a H. Stern, na Alemanha, o valor de duzentos e vinte e nove mil euros, por meio de uma conta em um banco suiço.

Durante seu depoimento nesta quinta, Maria Luiza afirmou ainda que a mulher do ex-governador Sérgio Cabral fazia pedidos de joias exclusivas.

"Ela [Adriana Ancelmo] também já tinha feito trocas. Quando havia diferença no valor, ela completava em espécie. Adriana gostava de coisas exclusivas. Em muitos casos ela pediu para produzir um modelo para ela. Ao todo, onze vendas foram feitas para a Adriana Ancelmo", disse.

Cabral alegou que compras de joias eram feitas com 'sobras de campanhas'

O Ministério Público Federal sustenta que a venda de joias para o casal era uma das formas que Cabral usava para lavar dinheiro da corrupção. Em depoimento na mesma vara no último dia 24, também para o juiz Marcelo Bretas, Cabral afirmou que as joias eram compradas com sobras de verbas de campanha.

Também nesta quinta, a Justiça do Rio determinou o bloqueio de até R$ 3,1 bilhões dos bens de vários réus em processo sobre fraudes no contrato das obras da Linha 4 do metrô do Rio. Entre os alvos do bloqueio estão o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, o ex-secretário de Transportes e deputado federal Julio Lopes, e o ex-subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso.