Jovens são torturados pelo tráfico na comunidade da Rocinha

Dois adolescentes de 16 anos foram agredidos e torturados em um beco na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio. Os jovens estavam a caminho de um projeto social quando foram capturados por traficantes perto da estação São Conrado do metrô. As vítimas ficaram com ferimentos por todo o corpo. As famílias pediram proteção do Estado e deixaram a Rocinha na noite desta quinta-feira (28).

Uma pessoa que viu as agressões avisou às equipes das Forças Armadas que faziam o patrulhamento na comunidade. Segundo um dos adolescentes, a tortura durou cerca de uma hora.

— Eles bateram na gente com um pedaço de madeira. Depois, nos amarraram com uma fita e nos levaram para uma casa. Lá, jogaram álcool e, na hora que iam colocar fogo, a polícia apareceu no local.

De acordo com a polícia, o motivo das agressões teria sido um boné com a frase "Jesus é o dono do lugar" que, segundo a investigação, faz alusão a quadrilha do traficante mais procurado da cidade, o Rogerio Avelino da Silva, mais conhecido como Rogério 157.  Bandidos ligados a esse criminoso utilizam esses dizeres em cordões e os escrevem nas paredes.

Ainda de acordo com as investigações, pelo menos cinco homens participaram da sessão de tortura. A polícia já conseguiu identificar dois deles e esses criminosos fariam parte do bando do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que está em um presídio federal e que disputa o controle de venda de drogas na Rocinha com 157. 

Supeito de participar de tortura é esfaqueado

Um homem foi preso, nesta sexta (29), por esfaquear um suspeito de participar da sessão de tortura contra um grupo de adolescentes na Rocinha. Fabrício Costa Manhães é pai de um dos jovens agredidos. Ele já prestou depoimento e vai responder em liberdade por tentativa de homicídio.

A Polícia Civil não confirmou se o caso tem relação com a outra denúncia de tortura contra jovens que foram capturados na estação de São Conrado do metrô.

De acordo com as investigações, o pai e o suspeito de agressão já têm passagens pela polícia por tráfico de drogas.

*Colaborou Juliana Valente, estagiária do R7 Rio

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