Justiça decreta mais sete mandados de prisão no Rio

Rastro do conflito entre integrantes da ADA no Rio de Janeiro

Rastro do conflito entre integrantes da ADA no Rio de Janeiro

Ellan Lustosa/22.9.2017/Código19/Folhapress

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão de sete acusados de torturar dois jovens da favela da Rocinha, na zona sul da capital carioca. Entre os mandados, está o de Carlos Alexandre da Silva, de 19 anos, que foi preso na manhã deste sábado (30). Com isso, subiu para 62 o número de mandados de prisão contra suspeitos na comunidade que vive um conflito entre líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) desde o dia 17 de setembro.

Dos 62 mandados, apenas 12 foram cumpridos.

Os jovens teriam sido agredidos na quinta-feira (28), segundo testemunhas, porque um deles usava um boné que dizia "Jesus Cristo é o dono do lugar", lema atribuído ao traficante Rogério Avelino, o Rogério 157, atual "dono" do morro. O ataque ao adolescente teria sido feito por comparsas de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, que está preso em um presídio federal na cidade de Porto Velho, em Rondônia, mas disputa o controle de venda de drogas na Rocinha com 157. 

Os jovens foram espancados, amarrados, quase queimados vivos e salvos por homens da Marinha. O pai de um dos torturados, que agrediu por vingança o suspeito Carlos Alexandre da Silva, também foi preso. Fabrício Manhães, que é guardião de piscina e mora no morro, argumentou que teria vingado o filho.

Ele negou que o filho tivesse qualquer envolvimento com o tráfico. "Ele é trabalhador, não tinha vínculo com nada, com Nem com Rogério. Fui atrás do meu prejuízo. Amarraram meu filho para matar, meu filho não é bandido. Derramaram o sangue da minha família. Pode ser até o papa, mas eu vou atrás", disse, enquanto era levado à delegacia da Rocinha. Ele foi autuado por tentativa de homicídio.

Com a saída das Forças Armadas, apenas a Polícia Militar reforça a segurança na região.