Catalães insistem em referendo que governo espanhol considera ilegal

Catalãoes fazem ato pelo referendo e insistem que votação ocorrerá apesar dos protestos do governo

Catalãoes fazem ato pelo referendo e insistem que votação ocorrerá apesar dos protestos do governo

Lusa/EPA/JDIGES/Direitos Reservados

A Justiça espanhola considera ilegal o referendo convocado para este domingo (1º) pelo governo catalão. Ainda assim, os catalães prometem ir às urnas para decidir pela independencia ou não da região. Boa parte dos catalães quer se separar da Espanha. O governo central colocou nas ruas das cidades da Catalunha forte aparato policial para impedir que o referendo aconteça. 

O país está diante de um impasse. Manifestantes contra a separação tomaram as ruas de váruias cidades espanholas neste sábado, incluindo a capital, Madri, para protestar contra o referendo. 

Houve também manifestações a favor da votação. Faltando menos de 12 horas para o referendo, nenhuma das partes se mostra aberta a ceder e a tensão só aumenta. O desfecho é imprevisível. Não se sabe se a ordem pública será respeitada.

Apesar de a decisão do Tribunal Constitucional espanhol ter sido pela ilegalidade do referendo, o governo autônomo catalão (Generalitat) continua convocando as pessoas para este domingo (1º). O referendo, caso aconteça, pode levar a Catalunha a se tornar independente da Espanha. Os que defendem a separação, apesar da oposição do governo nacional e do risco de atos violentos, insistem que o referendo acontecerá.

Nos últimos dias, o governo espanhol enviou para a região mais de 10 mil agentes das forças de segurança, apreendeu milhões de cédulas de voto e 45 mil notificações que conovocavam membros das mesas eleitorais.

De acordo com o jornal espanhol El País, o governo catalão apresentou, durante entrevista ontem (29), novas urnas compradas para o pleito e afirmou que 2.315 colégios eleitorais estarão abertos na Catalunha, com 7.235 mesários.

A comissão eleitoral, entidade que garantiria a realização normal da consulta, foi dissolvida depois de seus membros terem sido notificados de que teriam de pagar multas elevadas.

"Domingo se votará, as pessoas poderão votar desde às 9h até às 20h. Que todos estejam tranquilos, que poderemos votar", disse o porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, que declarou que mais de 5 milhões de pessoas estão aptar a participar do referendo.

Civis marcham contra referendo de separação da Catalunha

O vice-presidente catalão Oriol Junqueras afirmou ainda que, “se alguém tentar impedir que haja una mesa (eleitoral), ainda assim os cidadãos poderão votar". Com 7,5 milhões de habitantes, a Catalunha responde por 20 % da riqueza do país, superior à de Portugal ou da Grécia, por exemplo.

Polícia fecha mil locais de votação

Os policiais da Catalunha, conhecidos como Mossos d'Esquadra, também se negaram a fechar os centros de votação que estiverem abertos no domingo, apesar da decisão do Tribunal Superior da Catalunha sobre a ilegalidade do pleito. Há grande preocupação em relação à segurança da população.

O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, preocupado com a evolução da situação no país, decidiu não participar de uma cúpula de chefes de Estado e de Governo da União Europeia que se realizou em Talin, na Estônia.

Neste sábado (30), por decisão judicial, a Guarda Civil espanhola entrou no centro de telecomunicações do governo regional da Catalunha para bloquear os serviços de voto à distância para o referendo. A magistrada Mercedes Armas ordenou que os responsáveis pelo Centro de Telecomunicações e Tecnologia da Informação (CTTI) catalão suspendam o acesso a 29 softwares que administram bases de dados que as autoridades da Catalunha pretendem usar na consulta popular.

Apesar de cerca de 70% dos catalães defenderem a realização de um referendo dentro da legalidade, estudos de opinião indicam que os independentistas não têm a maioria, mas ganhariam no referendo pois iriam votar em massa. De acordo com o jornal português Diário de Notícias, uma pesquisa realizada pelo governo regional da Catalunha em julho revelou que os partidários da independência são 41,1% e os que são contrários à separação são 49,4%.

A organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou que as "pressões de propaganda" da Generalitat ultrapassaram o limite do admissível e sublinharam que, por outro lado, as medidas tomadas pelas autoridades espanholas para impedir a propaganda para o referendo criou uma atmosfera de grande tensão.

Enquanto isso, milhares de pessoas se manifestaram neste sábado no centro de Madri e em outras cidades espanholas contra o referendo independentista e a favor da unidade da Espanha.

Polícia monitora

A polícia espanhola monitorou escolas que serão usadas como colégios eleitorais e ocupou o centro de comunicações do governo catalão neste sábado, em um esforço para evitar o proibido referendo pela independência da Catalunha, que dividiu a Espanha.

Centenas de pessoas que apoiam o referendo passaram a noite nas escolas, com seus filhos, e disseram que planejam continuar nos locais até domingo, para mantê-los abertos aos eleitores.

Uma fonte do governo espanhol informou que mais da metade das escolas foi fechada e que a polícia removeria pessoas que tentassem votar no domingo. Menos de um décimo das escolas foi ocupada pelos pais, disse a fonte.

Dezenas de milhares de catalães devem tentar votar, no domingo, em uma eleição que não terá status legal por ser bloqueada pela Corte Constitucional da Espanha e por Madri, por entrar em desacordo com a constituição de 1978.

Milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar contra o referendo

Milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar contra o referendo

Agência Lusa

A Catalunha é uma região rica da Espanha, com sua própria língua e cultura. Se a eleição acontecer, um "sim" é provável, já que a maior parte dos 40 por cento dos catalães em pesquisas de opinião mostrando apoio à independência devem votar, enquanto a maioria dos que são contra não deve ir às urnas.

Pais em algumas das escolas ocupadas disseram que policiais informaram de que eles que poderiam ficar nos locais se não estivessem fazendo nada ligado ao referendo.

"A polícia esteve aqui quatro vezes", contou Laia, uma socióloga de 41 anos em uma escola no centro de Barcelona, onde aproximadamente 100 crianças brincavam e 80 pessoas planejavam passar a noite, enquanto vizinhos traziam comida. "Eles leram parte da ordem judicial que afirma que nenhuma atividade relacionada à preparação do referendo seria permitida", acrescentou.

A polícia catalã, ou Mossos d'Esquadra, que está monitorando as escolas, é muito querida pelo povo catalão, especialmente depois de ataques islâmicos na região, em agosto, que mataram 16 pessoas.

Madri enviou milhares de policiais para a região no nordeste da Espanha para cumprir a ordem judicial que proíbe o referendo, muitos dos quais alojados em dois navios no porto.