Referendo de independência é votado na Catalunha

Centenas de milhares de catalães foram às ruas nas últimas semanas para protestar contra Madri

REUTERS/Jon Nazca

Um referendo de independência na Catalunha deve ser votado neste domingo (1°) sob forte oposição do governo da Espanha. As autoridades de Madri declararam o referendo inconstitucional e enviaram milhares de policiais como reforço à região para impedir as pessoas de votarem.

"Eu insisto que não vai haver nenhum referendo no dia 1º de outubro", disse o porta-voz do governo da Espanha, Inigo Mendez de Vigo, durante coletiva de imprensa, reiterando o posicionamento de que a votação é ilegal.

O líder da Catalunha, Carles Puigdemont, classificou a reação do governo espanhol como antidemocrática.

— Tudo está preparado nas mais de 2.000 seções eleitorais, então elas têm urnas e cédulas, e têm tudo que as pessoas precisam para expressar sua opinião. Não acredito que haverá alguém que usará violência ou que irá querer provocar uma violência que manchará a imagem irrepreensível do movimento de independência catalão de pacifista.

Os grupos pró-independência ANC (Assembleia Nacional Catalã) e Omnium pediram esta semana que as pessoas compareçam às urnas como uma afirmação maciça de "resistência pacífica", ainda que sejam impedidas de votar.

No entanto, há temores de que a frustração com um evento cada vez mais despojado de qualquer impacto político significativo possa se transformar em tumultos nas ruas.

"Resistência pacífica, violência zero... se você não puder acessar as zonas eleitorais, de forma alguma deve responder com violência", disse a ANC em um documento interno distribuído aos seus membros. "Acima de tudo, tenham em mente que isto não é uma manifestação, mas uma fila gigante. A imagem de milhões de pessoas enfileiradas com uma cédula nas mãos impressionará mais".

Centenas de milhares de catalães foram às ruas nas últimas semanas para protestar contra a campanha de Madri para suprimir a votação. A polícia confiscou milhares de cédulas, e as cortes multaram e ameaçaram prender autoridades regionais.

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