Polícia espanhola invade centros de votação na Catalunha

A Polícia Nacional e a Guarda Civil da Espanha invadiram neste domingo (1º) alguns centros de votação em Barcelona e cidades da Catalunha para tentar impedir o referendo sobre a independência do território.

As urnas abriram por volta das 9h da manhã (hora local, 4 horas em Brasília), com grandes filas do lado de fora dos centros de votação.

A eleição acontece mesmo após o Tribunal Constitucional da Espanha considerá-la ilegal. O governo central em Madri também classifica o referendo como ilegal e sem respaldo na Constituição. As autoridades enviaram milhares de policiais para a Catalunha a fim de impedir a votação.

De acordo com agências internacionais de notícias, os policiais invadiram alguns desses locais e apreenderam urnas e cédulas. Imagens publicadas em redes sociais mostram policiais arrastando eleitores de dentro dos locais ou impedindo a entrada deles para a votação. Há relatos de disparos de balas de borracha, embora seu uso seja proibido desde 2014 an Catalunha, após uma mulher perder um olho em uma manifestação.

Ao menos 38 pessoas ficaram feridas, nenhuma delas em estado grave. Apesar do clima tenso, urnas e locais de votação foram substituídos e a votação prossegue.

Veja imagens da votação

No município de Sant Julià de Ramis, na província de Girona, guardas civis quebraram a porta de uma escola onde o líder catalão, Carles Puigdemont, era aguardado para votar. Os policiais montaram guarda no local.

Mesmo com o local tomado pelas forças de segurança, Puigdemont foi até a escola para denunciar "o uso irresponsável, irracional e desmedido da violência".

"A brutalidade" da polícia, disse ele, segundo o jornal catalão La Vanguardia, é uma "vergonha" que vai "acompanhar para sempre" as autoridades de Madri.

— Hoje o Estado espanhol perdeu muito mais do que havia perdido. E a Catalunha ganhou muito mais do que já havia ganho.

Veja a ação da Polícia na Espanha:

A Polícia Nacional e a Guarda Nacional da Espanha entraram em ação após a polícia local da Catalunha, chamada Mossos d'Esquadra, não cumprir decisão do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que determinava o desmantelamento dos locais de votação a partir das 6h. As forças de segurança locais se limitaram a fazer o policiamento dos arredores dos centros de votação, informa o jornal madrilenho El País.

A decisão de abrir uma consulta popular para separar a Catalunha da Espanha fez o país mergulhar em uma das maiores crises políticas das últimas décadas

Centenas de milhares de catalães foram às ruas nas últimas semanas para protestar contra a campanha de Madri para suprimir a votação. A polícia confiscou milhares de cédulas e as cortes multaram e ameaçaram prender autoridades regionais.

No sábado (30), milhares de espanhois contrários à consulta eleitoral foram às ruas de Madri e de outras cidades para protestar contra a divisão do país.