Universitário vai pagar mais caro em cursos que formam professores, prevê sindicato das faculdades particulares

O diretor do Semesp Rodrigo Capelato (com microfone)

Divulgação / Semesp

Diretor executivo do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) e um dos porta-vozes do segmento das universidades e faculdades particulares, o economista Rodrigo Capelato acredita que o aumento da carga horária dos cursos superiores de licenciatura no Brasil vai custar caro a quem deseja seguir por este caminho.

Capelato prevê que as instituições particulares de ensino superior tenham um aumento de custos de 20% a 25% nesses cursos, despesas que na visão dele serão repassadas aos estudantes.

As universidades e faculdades particulares defenderam o adiamento da entrada em vigor da ampliação das licenciaturas, cursos que formam professores para lecionar na educação básica. O aumento da carga horária das atuais 2.800 horas para 3.200 horas e a ampliação de três para quatro anos do tempo mínimo exigido para formação começariam a valer a partir deste semestre, mas foram adiados para o segundo semestre de 2018 após articulação feita pelo Ministério da Educação (MEC).

"É uma ótima notícia (o adiamento). Essa mudança é muito ruim porque você aumenta o custo do curso em 20% a 25% e isso será repassado ao aluno", afirma Capelato. "Há muita evasão nas licenciaturas e o terceiro ano desses cursos é sempre deficitário. Se aumentar para quatro anos, a instituição vai ter de suportar dois anos com turmas deficitárias", diz.

A ampliação dos cursos de licenciatura foi pensada para aprimorar a formação docente, ponto considerado estratégico para a melhoria da qualidade da educação no país. Para o diretor do Semesp, entretanto, a medida vai atuar na contramão desse objetivo, pois a tendência é reduzir a procura por esses cursos formadores de docentes. "As licenciaturas já sofrem por falta de interesse. A demanda é baixa e sobram vagas. Se você aumentar de três para quatro anos de duração, aí que as pessoas vão desistir mesmo", afirma Capelato.

Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2016, o número de universitários concluintes (no último ano do curso) nas licenciaturas no Brasil era cerca de 239 mil, menos da metade do número de ingressantes --aproximadamente 596 mil vagas preenchidas. A maior parte das matrículas nesses cursos está na rede privada: 62%. 

"Não é uma questão de mais horas, e sim de mudança de currículo", acredita Capelato. "Espero que este adiamento seja para ganhar tempo para reverter essa medida mais para frente."