De olho na 2ª fase do vestibular, estudantes sacrificam até a ceia de Natal

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Talita vai passar a noite de Natal com as videoaulas, enquanto sua família visitará parentes. Mikael vai se dedicar aos simulados neste sábado (23) e só descansa no domingo (24), para preparar a sobremesa da ceia com a mãe e os irmãos. Carolina colocou uma condição obrigatória para comparecer a qualquer compromisso até o fim do ano: se não estudar um número mínimo de horas ao dia, não sai de casa.

Todos eles riscaram férias, feriado e recesso do calendário pelo mesmo motivo: a preparação para a segunda fase de dois dos principais vestibulares do Brasil. A Fuvest, que seleciona para vagas na Universidade de São Paulo (USP), e as provas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acontecem em janeiro. A segunda fase da Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi realizada no último fim de semana.

Talita Ventura vai passar a noite de Natal em casa sozinha para aproveitar todo o tempo possível para se preparar para o vestibular (Foto: Arquivo pessoal/Talita Ventura)Talita Ventura vai passar a noite de Natal em casa sozinha para aproveitar todo o tempo possível para se preparar para o vestibular (Foto: Arquivo pessoal/Talita Ventura)

Talita Ventura vai passar a noite de Natal em casa sozinha para aproveitar todo o tempo possível para se preparar para o vestibular (Foto: Arquivo pessoal/Talita Ventura)

"Provavelmente vou passar o Réveillon em casa estudando em minha escrivaninha. Todo tempo é valioso nesta última reta", explicou Talita Ventura, de 20 anos, que mora em Mauá (SP). Essa é a quarta vez que ela presta a Fuvest, onde concorre a uma vaga em ciências da natureza, e a segunda vez que se inscreve na Unicamp.

Mas as duas universidades não são sua primeira opção. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) Talita já fez cinco vezes, atrás do sonho de conquistar uma vaga na carreira de engenharia aeroespacial na Universidade Federal do ABC (UFABC), que participa do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Fique de olho nas datas:

  • Segunda fase da Fuvest: 7, 8 e 9 de janeiro
  • Segunda fase da Unicamp: 14, 15 e 16 de janeiro
  • Resultado do Enem: 19 de janeiro
  • Início da inscrição no Sisu: 29 de janeiro

Sacrifícios pelo vestibular

Neste ano, Talita decidiu priorizar o vestibular. Pediu demissão do emprego e se inscreveu no cursinho on-line Descomplica, onde tem cinco horas e meia de videoaulas ao vivo todos os dias. "No ano passado, como eu trabalhava muito, e o cursinho que eu fazia era presencial, ele não pode me ajudar tanto", explicou ela.

"O meu maior incentivo é o medo de ter que prestar vestibular novamente ano que vem. São muitas horas investidas todos os dias, por todo o ano." - Talita Ventura

Atualmente, além das aulas de segunda a sexta, ela passa entre cinco e seis horas por dia resolvendo exercícios. As atividades que ela costuma fazer no tempo livre, como visitar museus, ficaram para o ano que vem. "Estudo sozinha em casa na maior parte do tempo. Entretanto, muitos amigos meus conversam comigo através do WhatsApp, me ajudando com as matérias em que tenho dificuldades, como biologia e redação."

No dia 24, a única companhia de Talita será virtual – além do cursinho e do WhatsApp, ela também tira dúvidas em grupos de estudantes no Facebook. "Moro com os meus pais, eles vão visitar minhas tias no Natal, mas eu optei por ficar em casa estudando", explicou ela.

Celular desligado e bem longe

Ao contrário de Talita, Carolina Ferrari, que tem 17 anos e mora em Bocaina (SP), desenvolveu uma estratégia para se concentrar longe das redes sociais. "Eu desligo o celular e estudo em um local em que ele não esteja. Se ele estiver na gaveta do meu escritório, onde eu estudo, eu vou pegar, vou ligar. Tem que ficar bem longe de mim."

Carolina Ferrari, de 17 anos, estipulou um número mínimo de horas de estudo por dia: se não cumprir, ela não sai de casa com amigos no recesso (Foto: Arquivo pessoal/Carolina Ferrari)Carolina Ferrari, de 17 anos, estipulou um número mínimo de horas de estudo por dia: se não cumprir, ela não sai de casa com amigos no recesso (Foto: Arquivo pessoal/Carolina Ferrari)

Carolina Ferrari, de 17 anos, estipulou um número mínimo de horas de estudo por dia: se não cumprir, ela não sai de casa com amigos no recesso (Foto: Arquivo pessoal/Carolina Ferrari)

A adolescente, que quer estudar odontologia, passou para a segunda fase da Unesp, da Unicamp e da Fuvest, mas sua primeira opção é o curso da USP, no campus de Bauru. "Gosto muito de ajudar as pessoas. Acho que vou me dar muito bem nessa profissão", diz ela, que percorria os 15 quilômetros de estrada entre sua cidade e Jaú todos os dias para estudar na Escola Porto Alvorada, parceira da SAS Plataforma de Educação.

Com aulas das 7h às 17h30 no colégio, ela manteve um ritmo de estudos que chegava até a meia-noite durante o ano letivo. Agora que terminou o terceiro ano do ensino médio, ela estipulou para si mesma uma carga horária mínima de três a quatro horas de estudos por dia, sem contar as pausas.

"Só posso sair se eu cumprir meu cronograma de estudos. Eu organizo os dias. Hoje vou estudar gramática, amanhã literatura, depois vou fazer provas anteriores. Se fizer tudo direitinho, eu posso sair." - Carolina Ferrari

Ela explica que os eventos sociais com amigos e familiares são frequentes, mas que tem cumprido até agora o seu regime de estudos. Os amigos, inclusive, já se acostumaram a enviar mensagens e ficarem horas sem a resposta. É porque a jovem não vê o celular nem nos intervalos de descanso.

"Procuro ver tudo de um assunto, pauso 15 minutos, aí volto. Na pausa procuro descansar e não usar o celular, porque cansa mais, recebo mais informação. É muito assunto. Aí um amigo chama, você tem que responder, aí não dá certo."

A ceia de Natal vai ser na casa de uma prima; a noite de Réveillon, na chácara de uma tia. Carolina diz que o plano é participar de ambas: no dia 24, ela não planeja fazer exercícios. "Vou terminar de ler um livro que está na lista da Fuvest. Mas pretendo estudar no dia 31", afirmou.

Família tranquila

Na casa em que mora com a mãe, em São Paulo, Mikael Montalvo, de 19 anos, diz encontrar um clima de tranquilidade para estudar. O candidato da carreira de biologia diz que não tem o costume de viajar durante as festas de fim de ano, mas neste ano a mudança foi a dedicação aos estudos.

Mikael Montalvo, de 19 anos, teve aulas no cursinho até dia 22 de dezembro, mas vai seguir estudando até a antevéspera de Natal, e também no Ano Novo (Foto: Arquivo pessoal/Mikael Montalvo)Mikael Montalvo, de 19 anos, teve aulas no cursinho até dia 22 de dezembro, mas vai seguir estudando até a antevéspera de Natal, e também no Ano Novo (Foto: Arquivo pessoal/Mikael Montalvo)

Mikael Montalvo, de 19 anos, teve aulas no cursinho até dia 22 de dezembro, mas vai seguir estudando até a antevéspera de Natal, e também no Ano Novo (Foto: Arquivo pessoal/Mikael Montalvo)

Aluno do cursinho Etapa, ele teve aulas preparatórias para a Fuvest até a última quinta-feira (21), e elas recomeçam na primeira semana de janeiro. Na sexta (22) e neste sábado (23), porém, ele segue com a cara nos livros durante todo o dia.

"Neste sábado vou estudar. Pretendo fazer as provas antigas, que acho que é a melhor forma de estudar para a segunda fase, e ver o que mais cai." - Mikael Montalvo

No domingo, o jovem que costumava passar cerca de 12 horas no cursinho se deu uma folga. "Dia 24 é domingo, vou tirar para descansar, porque tenho que relaxar um pouco", afirmou ele, que planeja preparar um brownie para a sobremesa da ceia, marcada na casa da irmã mais velha.

"No Réveillon, vou ficar em São Paulo e aproveitar para estudar", diz Mikael, garantindo que recebe todo o apoio da mãe para passar o recesso de fim de ano dentro do quarto estudando. "Ela está tranquilíssima. Depois que saiu o resultado dos vestibulares, ela entendeu mais", explicou ele.