Separatistas obtêm maioria no Parlamento catalão em eleição

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Com 99,8% dos votos apurados, os partidos independentistas da Catalunha garantiram a maioria absoluta do parlamento regional nas eleições realizadas nesta quinta-feira (21).

Segundo os resultados até agora, os três partidos que defendem a independência obtiveram 70 cadeiras do parlamento, duas a mais do que é necessário para garantir a maioria absoluta na casa de 135 lugares.

Formam o grupo a favor da separação o Junts per Catalunya, liderado pelo ex-presidente regional Carles Puigdemont, a Esquerda Republicana (ERC), do ex-vice-presidente Oriel Junqueras, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP).

Catalunha tem recorde de comparecimento nas urnas nas eleições regionais

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Apesar disso, o partido mais votado foi o Ciudadanos, contrário à independência da Catalunha, com 37 cadeiras.

O voto não é obrigatório, mas 81,9% dos 5,3 milhões de catalães participaram. Isso representa um crescimento de 6% em relação às eleições de 2015. Caso esse número se confirme, será batido o recorde de 1982, quando 79,9% dos eleitores compareceram às urnas.

Sem incidentes

As eleições transcorreram sem incidentes apesar da tensão acumulada em dois meses de impasse. Pela primeira vez em décadas, a votação catalã ocorreu em um dia de trabalho, o que provocou filas nas seções no início e no fim do dia.

As vestimentas amarelas eram vistas pelas ruas, cor escolhida para protestar pela prisão de parte dos líderes independentistas, segundo a agência France Presse.

Puigdemont, que está exilado, acompanhou a contagem na cidade de Bruxelas junto aos membros de seu governo. Não podendo votar, uma jovem de 18 anos lhe cedeu seu voto, presumivelmente para o Junts per Catalunya.

"Não é normal este dia com candidatos na prisão e no exílio", disse Puigdemont em Bruxelas. "Ainda assim é um dia muito importante, não para a Catalunha de hoje, mas para a Catalunha do futuro".

Histórico do impasse

O movimento independentista ganhou força na Catalunha a partir de 2012, impulsionado pelo mal-estar devido à crise econômica e à corrupção, da qual não era alheia o partido que liderou a causa – CiU, do então presidente Artur Mas – e o corte de alguns artigos da Constituição regional pelo Tribunal Constitucional.

Desde então, os separatistas têm ido às ruas em grande número para se manifestar: primeiro para reclamar um referendo de independência, e agora pelas prisões de seus líderes.

Após esses cinco anos de pressão, as autoridades catalãs desafiaram a polícia e a Justiça espanhola em 1º de outubro deste ano. Um referendo, mesmo sendo considerado ilegal, foi feito para saber qual o posicionamento dos cidadãos.

De acordo com os organizadores, 90% dos eleitores se posicionaram a favor da independência na época, mas só metade do eleitorado catalão participou do pleito – o que causou incertezas quanto ao real apoio popular ao separatismo.

Com esse resultado, o até então presidente Carles Puigdemont declarou independência catalã, o que causou uma reação do governo da Espanha. O premiê Mariano Rajoy demitiu Puigdemont, dissolveu o parlamento regional e convovou as eleições antecipadas – estas realizadas nesta quinta-feira.